Celso Russomano é a imagem da política institucional contemporânea

Celso Russomano lidera, porque é a imagem da política institucional contemporânea. Antes, aliás, porque é a própria imagem. Óbvio que ele não diz o que pensa; não vai dizer, pouco importa até para ele próprio agora. Celso Russomano é a imagem, é o produto indissociável  e universal das relações sociais, e da política, permeadas por imagens. Imagens que não são representação. Mas imagens que antes alienam, depois representam a vida, o mundo, o desejo.

E a imagem, por isso, é violência. “Eu vou cuidar de você”, ele repete.

O direito do consumidor por essência é a imagem: de um lado, o reflexo distorcido da cidadania, da construção das sociedades liberais modernas, o reflexo, a distorção e a imagem dos próprios direitos; de outro, a essência da própria imagem, o produto, o consumo, a mercadoria, a alienação do trabalho, do cotidiano, da vida e —não só agora, mas também porque o momento é de eleições— da própria pólis, da própria cidade. A alma alheia do cidadão clássico.

O nascimento de Russomano, não à toa, está na televisão, onde começou a defender os direitos do consumidor. O próprio senso comum reconhece o mais significativo elemento, produto-sujeito-objeto, do espetáculo, a televisão. A mesma televisão de onde vem a mercadoria, que captura o desejo pelo valor de exposição; a mesma mercadoria que o consumidor quer agora. Por isso Russomano não fala o que pensa. Ele não precisa pensar. Basta que o comprem, que o aceitem, porque assim ele cuida de você —tal qual o capital.

Russomano cresce à medida que cresce o consumo. Inexistem teoria política, pesquisa eleitoral, aferição objetiva e data, dado ou estatística que o expliquem fora do espetáculo. Mesmo porque também estão à serviço do mesmo sistema, do mesmo espetáculo.

A igreja universal, portanto, só poderia ser o presente de Russomano. A imagem é soberana. E deus é dinheiro. O pastor agrega o seu rebanho em torno da esperança do consumo; em torno não do sofrimento moral-cristão-ortodoxo, mas da esperança do prazer-cristão-contemporâneo —do capitalismo-controle-espetáculo. Não importa se é um herege, fariseu, ou pertence ao concorrente; importa que pode ser o filho desse mesmo deus. Para o paladino do consumidor, então, o ato religioso só pode mesmo criar seres melhores — os adeptos da religião do consumo.

Além de Safatle e Brum, não se pode falar de Russomano sem falar do espetáculo, da imagem, da mercadoria, do capital, do contemporâneo.

Se o passado e presente do notável candidato são conhecidos, o futuro dele está —ou deveria estar— em nossas mãos. Não é a urna. O pleito, muito menos. É o futuro da sociedade do espetáculo. Entre quais imagens vivemos? Onde está o real entre essas imagens? E o que fazer?

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Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
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