Ovos Derramados

Separados, dois ovos sobre a mesa.
Lado a lado, juntos com delicadeza.

Fito-os parados.
Rapidamente partem.
Um segundo atrás.
E se partem.
Que tristeza o alimento de alguém
Que parte, aparte, destarte.

As gemas amarelas fitam-me.
Agora olhos frios, fixos,
Escorrem aquele líquido transparente…

E o fedor toma o ambiente.
Impregnado num instante,
Poderia abafar aquela trilha sonora horrível
Cheirando a rádio comercial.

Do belo branco até o sujo pano,
Estiveram juntos
Até que a morte, um pano velho e a noite deste sábado os separasse…

Como pode? Oh, lamúria…
Derramá-la assim, esta gosma.
Que será daquele par agora?
Quem vai pagar por isso?
E a fome, aquele desejo interior profundo? Que será?

Tudo soa meio brega, com um sertajeno ao fundo,
à medida que o fedor se espalha e se mistura ao cheiro do álcool,
derramado ao chão,
para limpeza.

Os panos torcidos exalam fedor,
Terrível dessabor…

Tudo se mistura numa repugnância única ao sábado, aos olhos,
aos ovos.

Não há mais pares, companhia ou jantar por aqui,
Partiu o casal de ovos, prestes a tornar à vida e nascer ou comer.
Mesmo amigos partiram este sábado…
Dele restam-me, sozinho, apenas fome e versos…

Anúncios

Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
Esse post foi publicado em Versos e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s