Sinestesia

Deitado, só, em meio ao prazer após assistir a um filme de Almodóvar, o problema de levantar-se. Fale com ela como num relâmpago, e as cenas passam pela mente em nuvens, e se embaralham, e se misturam, e vêm e voltam. Momento nenhum deveria quebrar-se assim. O vento vem vindo, vagando noite a dentro, vai voando, vindo de novo, ventando, voltando frio… Voando, voando e voando…

A escuridão ao redor. De fora, vem vindo um som, levando tudo embora e trazendo um perfume de orvalho, memória. Pressentimento: sentimento, pensamento. Tão logo tudo se foi, tão rápido se constrói. Deveria eu ficar ali parado, sujeito a tantas sensações quantas vierem. Mas há ainda muito o que se fazer. Outro segundo aqui parado poderia custar.

Levanto, desligo a TV e vou-me embora.

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Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
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