Mistura nossa de cada dia

Uma música se repete.
São versos de Dylan, cujo refrão se reproduz ao infinito. Falam de paz, amor, revolta, mas paixão sobretudo.

As notícias correm pela tela do computador.
Pequenas doses de violência do dia a dia, que se repetem ad nauseam. Reportam crimes passados e crimes porvir.

A cozinha exala um cheiro doce de comida.
É a hora do almoço, quando costumamos conversar. Discutimos sobre tudo, mas muito mais sobre o nada.

Dois olhares se cruzam.
Ocorrem como um encontro inesperado, tão arbitrário quanto um devir. Tiram-nos dali, por um instante, apenas um instante.

A voz fica muda.
Torna-se, por sua vez, uma estranha gagueira, que não sabe o que dizer. Refugia-se nos protocolos, formalidades fugidias.

O pensamento troca as chaves.
Opera por meio de lembranças, que nos traem, cheias de espaços em branco. Repete um momento de outrora, agora sob a forma de diferença.

Anúncios

Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
Esse post foi publicado em Crônicas, Ensaios e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s