Fui, era e sou…

O CA Benevides Paixão completa 30 anos de vida. São quase 6 a mais do que eu. Posso dizer, com orgulho, que em pelo menos uma porção de tempo bem pequena eu faço parte dessa história. Estive presente em pelo menos um décimo dessas três décadas. Foram três anos, duas gestões (Desassossego, em 2011, e “À ausadia pertence o futuro” em 2012), duas ocupações de reitoria, muito contato durante cinco anos de graduação, uma ida ao norte e outra ao sul do país e, mais do que tudo, muito -mas muito- aprendizado.

Entretanto, não costumo valorar minhas experiências de acordo com a quantidade. Antes, é a intensidade dos acontecimentos que me dá a medida certa do que vale a pena ou não. Enquanto comemorávamos ontem essas três décadas, com pelo menos três ou quatro gerações de integrantes do Benê (nome pelo qual carinhosamente chamamos o CA), todo esse pouco tempo me voltou cheio de lembranças. Boas lembranças.

Poderia ficar elencando aqui uma série de momentos. Mas, muito além de registrá-los por narcisismo, gosto de pensar que tudo isso foi fundamental para minha vida. E a vida, meus car@s amig@s, é política por essência. Deixei para trás o que precisava deixar, aprendi muito -a dar a cara a tapa, a me posicionar em público, a não ter medo de chegar em frente a um monte de desconhecidos e falar o que precisa ser dito-, durante meu tempo de Benê eu fui, eu era, fui sendo, eu me tornei e hoje, depois de tudo, eu ainda sou.

Penso que esse “ser” é atravessado por uma infinidade de devires. São crises, conflitos, aproximações, distanciamentos, linhas de fuga; são pessoas, muitas das que vieram antes —e, se sou, sou principalmente os que já se foram— e não gostaria de tentar citar para não esquecer e cometer alguma injustiça; todas essas multiplicidades são, como havia dito, intensidades. Intensidades que nos lembram o que é a vida, o que é a política, o que nós somos.

Enfim, queria deixar esse meu registro, essa pequena marquinha de felicidade a qual um único dia foi capaz de resgatar e continuar a tornar real. Olho para muitas coisas e vejo um passado a se orgulhar vivo. Lembro que, lá pelos anos de 2010, o coletivo feminista 3 Rosas mal começara, e hoje segue voando. Em 2012, em um ato de ousadia, ocupamos uma sala na Universidade para reavermos um lugar ao nosso CA. Foi o lugar da festa de ontem, mais um local que se prepara para escrever os próximos 30 anos de muitas outras histórias.

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Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
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