Eu-bicho: ainda é carnaval

As calçadas não comportam
Pés
Que tanto tumultuam
Paredes
Que se transformam

A metrópole quer um homem
de bem
Algo cidadão

Quando eu sou. Ou não sou? Quando eu desejo
Encontrar
O lobo
Que me devém
Uivar

Correr por estas ruas
Em uma infinidade de devires
Animais
Que correm, espreitam, vadiam

Flâneurs

Um imponente rocinante
Quiçá, ave de rapina
Ou então um rei lagarto

Eu-bicho
É carnaval
Colorido sobre o cinza
Afetos do tempo

Do calor do verão
Da paixão da primavera
Do desencanto do outono
E do inverno o findar

Confetes, fantasias, serpentinas, purpurina

Ali, sem sequer pedir
A menor licença

Olhares que se encontram no horizonte
Mas desviam para baixo

Um beijo

Ainda é carnaval

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Sobre Guilherme Zocchio

Jornalista.
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